Retiros

Ars Moriendi – O acompanhamento espiritual de doentes em fim de vida segundo a abordagem cristã e budista.

Padre Maurice Zundel, que escreveu o livro “À escuta do silêncio”, numa das suas conferências sobre a morte pergunta-nos: O que fazemos da nossa vida? Estamos à procura de nós mesmos, fugimos de nós, reencontramo-nos de forma intermitente e nunca chegamos a fechar o círculo, a definir-nos a nós próprios, a saber quem somos… Não temos tempo, a vida passa tão depressa, estamos absorvidos pelas preocupações materiais ou por diversões… e, finalmente, a morte chega e é em sua presença que tomamos consciência de que a vida poderia ter sido algo de imenso, de prodigioso, de criador. Mas já é tarde demais… e a vida só adquire todo o seu relevo no imenso desgosto de uma coisa inacabada. É, então, que a morte, justamente porque a vida ficou inacabada, aparece como um poço sem fundo…

O que é uma vida inacabada? Vivi a minha vida com sentido? Ou deixei-a deslizar entre os dedos? Estive presente na vida dos que amo e sinto-me em paz com eles? Ou ficaram coisas por dizer e fazer e sinto remorsos? Essas são algumas das questões que nos pomos ao longo da vida e que podem atormentar alguém que se aproxima do final da sua vida. Este retiro vem ajudar-nos a pensar na nossa própria morte, aumentando a qualidade da nossa vida, e a entender as necessidades espirituais de uma pessoa em fim de vida para que possamos oferecer-lhe uma presença de qualidade.

O Ars moriendi é o nome de dois textos em Latim datados de aproximadamente 1415 e 1450 que oferecem conselhos sobre os protocolos e procedimentos de uma “boa morte”, segundo os conceitos cristãos do final da Idade Média.

Durante as manhãs, Frei Hermínio irá partilhar connosco a sabedoria do Ars Moriendi e a abordagem Cristã actual do acompanhamento espiritual de uma pessoa em fim de vida e Tsering Paldron irá abordar os ensinamentos budistas sobre o acompanhamento em final de vida com base no Livro Tibetano da Vida e da Morte.

Durante as tardes, os participantes serão divididos em três grupos, facilitados por Carol Gouveia Melo, Cláudia Farinha e Horácio Lopes, para exercícios práticos de desenvolvimento pessoal e acompanhamento espiritual do doente.

Antes do pequeno-almoço e depois de jantar, decorrerão ainda actividades diversas, como meditação, discussão de um filme sobre o Livro Tibetano da Vida e da Morte, um ritual de luto e outras actividades.

 

Destinatários

Cuidadores de doentes em fim de vida ou em sofrimento, profissionais de saúde, voluntários e qualquer pessoa interessado em aprofundar os seus conhecimentos e vivência pessoal sobre o tema.

Nº máximo de participantes: 35 pessoas

 

Duração

4 dias

 

Investimento

Dependendo da localização

 

Facilitadores

Frei Hermínio, Monja do Budismo Tibetano Tsering Paldron, Terapeutas Carol Gouveia Melo, Cláudia Farinha e Horácio Lopes.